Os primeiros mil dias de vida do bebê são essenciais para o desenvolvimento. Neste período, que compreende a concepção até os dois anos de vida, é possível determinar efeitos de curto a longo prazo, na saúde e bem-estar de um indivíduo.

Os cuidados devem ser iniciados desde a gestação e associados a uma boa alimentação da mãe, este sendo um dos determinantes mais importantes da nutrição na infância, tendo em vista que muitas crianças nascem desnutridas porque suas mães estão desnutridas. A alimentação da mãe também está diretamente ligada na formação do paladar e olfato do bebê, logo, esse período necessita de maior atenção pois terá um impacto não só na saúde física mas também na construção dos hábitos alimentares.

A suplementação de ferro e ácido fólico se torna importante durante a gestação. O ferro tem sua necessidade aumentada devido a ampliação da massa de eritrócitos, a fim de se ajustar, tanto ao crescimento fetal e placentário, quanto a perda de sangue que ocorre durante o parto. O folato, por sua vez, tem um papel importante na síntese de DNA e sua necessidade também se encontra aumentada por causa da expansão do volume sanguíneo e o crescimento do tecido materno.

Ambas deficiências, de ferro e de ácido fólico, durante a gravidez, apresentam desfechos desfavoráveis, como: diminuição da síntese materna de hemoglobina e do transporte de oxigênio, nascimento prematuro, baixo peso ao nascer e aumento dos defeitos de tubo neural.

Alguns estudos mostram que a suplementação de ácido fólico reduz significativamente as taxas de pré-eclâmpsia materna e de recém-nascidos pequenos para a idade gestacional.

O leite materno é o alimento mais completo e deve continuar sendo ofertado até os dois anos de vida, não sendo necessário a exclusão com o início da alimentação complementar. São muitos os benefícios relacionados ao aleitamento e alguns deles são: a redução na morbimortalidade por diarreias e a diminuição no risco de obesidade infantil, de infecções respiratórias, de hipertensão, de diabetes e de hipercolesterolemia, já na vida adulta.

Além disso, podemos citar o colostro, que é ideal e fundamental para os recém-nascidos por ser altamente concentrado e repleto de nutrientes, de forma a ter um efeito protetor que está relacionado a produção de mecanismos, tais como: a colonização intestinal por bactérias específicas encontradas no leite materno e a capacidade de produção de fatores imunológicos bioativos adequados para o recém-nascido.

Quando a alimentação na primeira infância não é fornecida de forma adequada, reflete diretamente ao longo de toda a vida. Mesmo tendo acesso a uma alimentação adequada futuramente, pode ocorrer rejeição a esses alimentos por falta de estímulos na fase da infância.

Logo, a criação de ações interventivas que garantam uma boa nutrição neste período, contribuem positivamente com uma vida mais saudável e produtiva, incluindo o incentivo do aleitamento materno, a correta introdução da alimentação complementar e a manutenção de bons hábitos alimentares, que são alguns dos requisitos básicos para o crescimento e desenvolvimento adequado.

 

Referência: da Cunha AJ, Leite AJ, de Almeida IS. The pediatrician’s role in the first thousand days of the child: the pursuit of healthy nutrition and development. J Pediatr (Rio J). 2015;91:S44-51.