Acne vulgaris é uma doença inflamatória multifatorial da pele. Diferentes fatores externos e internos, como poluição do ar, produtos agressivos para o cuidado da pele, medicamentos, fatores mecânicos, hormonais e emocionais, e mais recentemente, estilo de vida e estresse, foram sugeridos como tendo um impacto sobre a acne.

Acne vulgaris é uma das doenças dermatológicas mais comuns em todo o mundo. Sua patogênese é atribuída a quatro principais fatores:

  •  Hiperqueratinização folicular;
  • Produção excessiva de sebo;
  • Hiperproliferação da bactéria Cutibacterium acnes (anteriormente conhecida como Propinionbacterium acnes);
  • Mecanismos inflamatórios.

A acne geralmente tem o seu início na puberdade, pela ação dos hormônios sexuais, e geralmente involui na terceira década de vida. No entanto, a acne pode se apresentar (ou persistir) na idade adulta, sendo mais comum em mulheres com desregulação hormonal.

As teorias clássicas sobre o impacto da dieta ocidental na acne continuam a ganhar credibilidade com o tempo, e se equiparam às noções mais recentes sobre os efeitos da alteração no microbioma intestinal e no eixo pele-intestino. Uma dieta ocidental é aquela que inclui o aumento do consumo de alimentos com alto índice glicêmico, carne vermelha, laticínios e proteína do ovo. O padrão alimentar ocidental aumenta a sebogênese, proporcionando um ambiente ideal para a C. acnes e outros microorganismos se desenvolverem, resultando na formação de acne.

Abaixo selecionamos fatores dietéticos e sua associação com a melhora ou piora da acne:

– Baixo índice glicêmico: As dietas de baixo índice glicêmico, no geral, mostraram melhorias favoráveis nos desfechos da acne, possivelmente por causa de seus efeitos na insulina e no IGF-1. Entretanto, por causa de achados inconsistentes em estudos de pacientes com acne em dietas de baixo índice glicêmico, pode ser necessário tratamento adicional em combinação com mudanças na dieta para reduzir a acne.

– Laticínios: os surtos de acne em indivíduos que consomem leite podem estar relacionados às proteínas do soro do leite e à caseína por meio das vias insulinotrópica e IGF-1, o que pode explicar por que outros produtos lácteos, como manteiga ou queijo, não demonstraram as mesmas associações com acne.

– Gordura e ácidos graxos: Ácidos graxos ômega-3 diminuem o IGF-1 e inibem o leucotrieno B4 pró-inflamatório. As evidências apoiam o uso de ácidos graxos ômega-3 e ácido γ-linoléico na redução de lesões da acne.

– Dietas veganas/vegetarianas: A ativação de mTORC1 diminui, levando à diminuição da sinalização do fator nuclear pró-inflamatório-κB. Entretanto, até o momento, não há nenhuma evidência significativa de suporte a dietas veganas/vegetarianas na redução da acne.

– Probióticos: Apresentam possível produção de substâncias inibidoras semelhantes à bacteriocina. Podem melhorar o metabolismo da glicose e os níveis de insulina e aumentar os níveis de ácidos graxos anti-inflamatórios. A administração de probióticos se mostra promissora na redução das lesões de acne, embora pesquisas adicionais sejam necessárias nesta área para apoiar esses achados iniciais.

 

Referências:

1- Baldwin H, Tan J. Effects of Diet on Acne and Its Response to Treatment. Am J Clin Dermatol. 2021 Jan;22(1):55-65.

2- Szántó M, Dózsa A, Antal D, Szabó K, Kemény L, Bai P. Targeting the gut-skin axis-Probiotics as new tools for skin disorder management? Exp Dermatol. 2019 Nov;28(11):1210-1218.

3- Fiedler F, Stangl GI, Fiedler E, Taube KM. Acne and Nutrition: A Systematic Review. Acta Derm Venereol. 2017;97(1):7-9.