A adiponectina é um hormônio circulante secretado pelo tecido adiposo, que exerce efeitos protetores contra a inflamação e pode modular positivamente o sistema endócrino, aumentando a sensibilidade à insulina.

A adiponectina também desempenha papéis protetores contra diabetes e aterosclerose. Além disso, essa citocina aumenta o catabolismo dos ácidos graxos e regula ativamente o açúcar no sangue. Ela também estimula a oxidação de gorduras no músculo esquelético e, subsequentemente, reduz o acúmulo de triglicerídeos (TG).

Curiosamente, o gênero (masculino/feminino) parece influenciar os níveis de adiponectina: vários estudos mostram maiores níveis de adiponectina em mulheres em relação aos homens, provavelmente devido à elevação do hormônio estrogênio, que é conhecido por ter um impacto no tecido adiposo.

Outra curiosidade é que, ao contrário de outras adipocinas, sua concentração foi encontrada reduzida em indivíduos obesos, provavelmente devido à baixa atividade física e estilos de vida sedentários. Praticar atividade física pode reverter tal condição, pois estimula a produção e liberação de adiponectina, que aumenta a captação de glicose e a oxidação de ácidos graxos por meio da ativação de 5′-adenosina monofosfato (AMP) e proteína quinase ativada por monofosfato de adenosina (AMPK).

Estrutura:

A adiponectina é uma proteína com 224 aminoácidos produzida pelo tecido adiposo branco e foi foi identificada pela primeira vez em 1995.

Adiponectina e seu papel nas doenças:

  • Diabetes:

O diabetes mellitus é caracterizado por altos níveis de glicose no sangue e é uma das doenças graves que afligem outros órgãos, como rins, olhos, vasos sanguíneos e nervos. A obesidade induz resistência à insulina (definida como a incapacidade da insulina de realizar tarefas metabólicas e vasculares nos tecidos-alvo) e, consequentemente, diabetes tipo 2, que está associada ao acúmulo de gordura e ao mau funcionamento da insulina.

O tecido adiposo secreta proteínas, como a adiponectina, para controlar a sensibilidade à insulina, aumentar o metabolismo da gordura, regular a tolerância à glicose e modificar a homeostase, a fim de proteger os indivíduos do diabetes.

Os níveis plasmáticos de adiponectina têm uma correlação inversa com o desenvolvimento de resistência à insulina e diabetes mellitus tipo 2.

  • Câncer:

A concentração de adiponectina varia em diferentes condições, mas seus níveis estão diminuídos em vários tipos de câncer. As vias de sinalização anticâncer são diversas e complexas.

A adiponectina é considerada um elo importante entre o câncer de cólon e a obesidade. Foi observado que a baixa expressão de adiponectina e a alta expressão de seus receptores podem estar associadas ao câncer de mama invasivo. Também foi demonstrado que níveis diminuídos de adiponectina são acompanhados por um risco aumentado de câncer uterino, especialmente em mulheres com menos de 65 anos, independentemente do IMC, etnia, IGF e outros fatores conhecidos. A adiponectina inibe o desenvolvimento de câncer gástrico, suprime os tumores hepáticos e diminui o risco de câncer hepático.

  • Doenças cardiovasculares:

A adiponectina ajuda a reduzir a disfunção vascular, através da liberação aumentada de óxido nítrico, por outro lado, os níveis sanguíneos de adiponectina aumentam significativamente na insuficiência cardíaca. Portanto, ainda é controverso considerar a adiponectina como um marcador de doença cardiovascular.

  • Alzheimer:

Reduzir os níveis de adiponectina, ou reduzir a atividade de sinalização da adiponectina, parece promover a progressão da doença de Alzheimer e causar prejuízo cognitivo. Essa associação está intimamente ligada ao comprometimento da via de sinalização da insulina e diminuição da sensibilidade à insulina no cérebro. Em comparação com a alta expressão de adiponectina no plasma, os níveis de adiponectina são muito baixos nas células nervosas. Um estudo clínico indicou que a diminuição dos níveis plasmáticos de adiponectina é um fator de risco para mulheres com doença de Alzheimer. Letra et al. sugeriram que o aumento nos níveis de adiponectina pode ter um efeito neuroprotetor na doença de Alzheimer.

Efeitos da Nutrição:

  • Dieta mediterrânea:

Uma dieta saudável aumenta os níveis de adiponectina. A dieta mediterrânea, como uma dieta popular e saudável, tem altos níveis de grãos inteiros, carboidratos de baixo índice glicêmico, fibras, gorduras insaturadas, vegetais e frutas, um consumo balanceado de laticínios e peixes e menor ingestão de carnes vermelhas, doces e ácidos graxos saturados. Um crescente corpo de pesquisas mostrou níveis aumentados de adiponectina em quem consome a dieta mediterrânea.

  • Gorduras insaturadas:

Patres et al. (2016) concluíram que 122 pacientes diabéticos (tipo 1) com alta ingestão de gorduras saturadas diminuíram os níveis de adiponectina, mas uma dieta com alta ingestão de gorduras insaturadas foi capaz de aumentar seus níveis de adiponectina.

  • Alimentos de baixo índice glicêmico:

O consumo de alimentos de baixo índice glicêmico, como frutas e vegetais, desempenha um papel fundamental na proteção do corpo contra a inflamação, causada por síndromes metabólicas e doenças cardiovasculares, aumentando os níveis de adiponectina.

  • Ômega 3:

Duas metanálises e artigos de revisão sugeriram que tomar ômega-3 como suplemento e comer alimentos ricos em ômega-3 aumenta a adiponectina e, subsequentemente, melhora os fatores metabólicos em pacientes com doença cardiovascular e diabetes tipo 2, embora a dosagem ideal ainda seja controversa.

Já conheciam todos esses efeitos e curiosidades sobre a adiponectina? Acompanhe nosso Blog porque semanalmente trazemos postagens exclusivas como essa!

 

Referências:
1- Khoramipour, K.; Chamari, K.; Hekmatikar, A.A.; Ziyaiyan, A.; Taherkhani, S.; Elguindy, N.M.; Bragazzi, N.L. Adiponectin: Structure, Physiological Functions, Role in Diseases, and Effects of Nutrition. Nutrients 2021, 13, 1180.

2- Schondorf, T.; Maiworm, A.; Emmison, N.; Forst, T.; Pfutzner, A. Biological background and role of adiponectin as marker for insulin resistance and cardiovascular risk. Clin. Lab. 2005, 51, 489–494.

3- Prates, R.E.; Beretta, M.V.; Nascimento, F.V.; Bernaud, F.R.; de Almeira, J.C.; Rodrigues, T.C. Saturated fatty acid intake decreases serum adiponectin levels in subjects with type 1 diabetes. Diabetes Res. Clin. Pract. 2016, 116, 205–211.

4- Bahreini, M.; Ramezani, A.H.; Shishehbor, F.; Mansoori, A. The Effect of Omega-3 on Circulating Adiponectin in Adults with Type 2 Diabetes Mellitus: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. Can. J. Diabetes 2018, 42, 553–559.

5- Barbosa, M.M.; Melo, A.L.; Damasceno, N.R. The benefits of omega-3 supplementation depend on adiponectin basal level and adiponectin increase after the supplementation: A randomized clinical trial. Nutrition 2017, 34, 7–13.