O processo de formação dos hábitos alimentares, se inicia desde o período gestacional, sofrendo influência da alimentação da mãe, e continua se desenvolvendo durante toda a vida, sofrendo influência de inúmeros outros fatores como: religiosos, culturais, socioeconômicos, com novas amizades, na escola, mídia, entre outros.

Os bebês dependem totalmente de outras pessoas para se alimentarem. Essas pessoas, principalmente as mães, por serem as principais cuidadoras, tem um papel fundamental na construção dos hábitos alimentares. Além de decidir o que as crianças irão comer, elas determinam como e onde a criança será alimentada.

É importante analisar o ambiente em que ocorrem as refeições, de modo a proporcionar um ambiente prazeroso. Para isso, é de suma importância criar condições nas quais a criança desenvolva interesse em se alimentar, sem distrações e de maneira confortável, dessa forma as refeições se tornarão mais leves.

A interação durante as refeições pode ser positiva ou negativa; será positiva quando houver atenção e interesse da criança em termo de fome e saciedade e a capacidade de comunicar suas necessidades; e de forma negativa, principalmente quando há uma recusa da criança, de modo a ser entendido como uma rejeição e ela passa a ser obrigada a se alimentar.

É importante que a criança tenha desde cedo uma boa relação com a comida, fazendo com que ela tenha sempre uma alimentação bem variada e colorida. Durante a infância, a criança passará por diversas fases entre elas a “crise dos 2 anos” ou “terrible two”, neste período se torna indispensável a paciência e uma boa relação entre mãe e filho.

Sabemos que uma má alimentação, é prejudicial tanto de imediato, podendo causar atrasos no desenvolvimento, falta de nutrientes, e desenvolvimento da seletividade alimentar, como pode se perdurar até a fase adulta causando obesidade, diabetes entre outras doenças.

Para SAWAYA, “Quando um Indivíduo recebe uma alimentação insuficiente, principalmente no início da vida, de forma qualitativa ou quantitativa, afeta diretamente o sistema nervoso, que irá se “programar” para economizar energia em forma de gordura e reduzir o crescimento, como garantia de sobrevivência em condições adversas; é gerado um ciclo vicioso: perda de peso, crescimento deficiente, baixa imunidade, danos na mucosa gastrointestinal, perda de apetite, má absorção do alimento, alterações importantes no metabolismo”.

Existem estudos que mostram a existência de alta prevalência da alimentação complementar inadequada, tais como, segundo o Comitê de Nutrição da Sociedade Europeia de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica: introdução precoce de alimentos, como o leite de vaca integral; alimentos com consistência inapropriada e baixa densidade calórica; baixa biodisponibilidade de micronutrientes; oferta insuficiente de frutas, verduras e legumes; contaminação no preparo e armazenamento dos alimentos; acréscimo de carboidratos simples ao leite; e oferta de alimentos industrializados ricos em carboidratos simples, lipídeos e sal, consumidos com frequência pela família.

A nutrição infantil vai muito além dos aspectos nutricionais, trata-se de respeito e cuidado entre mãe/filho, essa relação está diretamente ligada com a forma que a criança irá lidar não só durante as refeições. É sempre importante encorajar a criança, mas sem forçá-la; experimentar oferecer alimentos com diferentes combinações e texturas, se a criança recusar na primeira oferta e fazer das refeições oportunidades de aprendizado e amor.

 

Referências:
1) SAWAYA, Ana Lydia. Desnutrição: conseqüências em longo prazo e efeitos da recuperação nutricional. Estud. av., São Paulo , v. 20, n. 58, p. 147-158, dez. 2006

2) Silva GA, Costa KA, Giugliani ER. Infant feeding: beyond the nutritional aspects. J Pediatr (Rio J). 2016;92(3 Suppl 1):S2-7.