Os produtos finais de glicação avançada (AGEs), também conhecidos como glicotoxinas, são um grupo heterogêneo de moléculas caracterizado pela ligação covalente entre um açúcar reduzido e um grupo amino livre, presente em proteínas, lipídeos e ácidos nucléicos.

Os AGEs foram conhecidos há muito tempo através do médico e químico francês Louis Camille Maillard, que descobriu a reação associada ao escurecimento durante o cozimento e armazenamento de alimentos em 1900. A partir desse fato, e principalmente nos últimos 20 anos, cresceu tanto o conhecimento quanto o aprofundamento da função associada aos produtos finais de glicação.

Os produtos finais de glicação avançada são formados fisiologicamente como parte do metabolismo normal. Mas, quando se acumulam em níveis elevados nos tecidos, podem se tornar perigosos para o organismo.

Os seus efeitos patológicos estão relacionados à sua capacidade de promover estresse oxidativo e inflamação por meio da ligação com receptores da superfície celular ou ligação cruzada com proteínas corporais, alterando sua estrutura e função.

Podem ter origem em processos fisiológicos, quando não contrabalançados por mecanismos de desintoxicação, ou derivar de fontes exógenas, como alimentos, fumaça de cigarro e poluição do ar. Até agora, o papel patogênico dos AGEs foi evidenciado em doenças inflamatórias e crônicas, como diabetes, doença renal crônica, doença cardiovascular, nefropatia e retinopatia.

A alimentação é uma das principais fontes de AGEs exógenos e estudos sobre diferentes padrões alimentares, levando em consideração o longo prazo e a adesão à dieta, são cruciais para entender essa ingestão. Além disso, ainda falta um banco de dados completo sobre o conteúdo de AGEs em diferentes alimentos.

Se recomendações práticas para escolhas alimentares e métodos de cozimento corretos forem combinados com atividade física, resultados benéficos podem ser vistos e isso seria um ponto de mudança significativo na melhoria da saúde da população em geral.

O interesse por dietas saudáveis ​​está aumentando em todo o mundo, à medida que se torna maior a preocupação da população em entender o poder e o impacto da prevenção na saúde.

 

Referências:
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