A endometriose é uma doença ginecológica crônica, caracterizada pela implantação de células endometriais e estroma fora da cavidade uterina, principalmente no peritônio pélvico e ovários, e aflige cerca de 10-15% das mulheres em idade reprodutiva.

Atualmente, o tratamento da endometriose depende dos sintomas predominantes da paciente, levando em consideração a idade, perfil de efeitos colaterais, extensão e localização das lesões endometrióticas e tratamento prévio. A principal abordagem terapêutica inclui cirurgia, farmacoterapia e tratamento individual abrangente de longo prazo.

Um trabalho publicado neste ano apontou que diferentes vias envolvidas nos processos fisiológicos e patológicos associados a endometriose podem ser alvo de compostos bioativos alimentares.

Tais compostos exibindo atividades antiproliferativas, antioxidantes, anti-inflamatórias, antiangiogênicas, pró-apoptóticas, imunomoduladoras e moduladoras de estrogênio, podem afetar diferentes vias envolvidas na etiopatogênese da endometriose e fornecer novas estratégias para o tratamento ou regressão. Abaixo listamos alguns desses compostos:

Apigenina:

Os cientistas sugerem que a apigenina, presente em quantidades significativas em várias frutas (maçãs, uvas, laranjas) e vegetais (cebola, salsa, aipo), é adequada para a prevenção e tratamento de diversas doenças como diabetes, distúrbios metabólicos, doenças cardiovasculares e neuronais e cânceres.

A apigenina previne ou inibe a progressão da doença pelo envolvimento na parada do ciclo celular, indução de apoptose, mecanismos anti-inflamatórios e de eliminação de radicais livres; assim, também é proposto como um potencial agente terapêutico em distúrbios reprodutivos.

Consistente com os resultados da atividade biológica da apigenina, esta flavona é sugerida como um novo agente terapêutico potencial para superar as limitações atuais na prevenção ou tratamento da endometriose. No entanto, mais pesquisas básicas pré-clínicas e ensaios clínicos, em particular, são fortemente necessários.

Epigalocatequina galato (EGCG):

A epigalocatequina galato é encontrada no chá preto, branco, e especialmente, no chá verde. Este composto tem recebido enorme atenção farmacológica devido aos seus supostos efeitos benéficos à saúde com base em suas propriedades antioxidantes, antiangiogênicas e antiproliferativas.

Estudos in vivo e in vitro mostraram que EGCG suprimiu a proliferação celular e induziu a morte celular em células epiteliais endometriais de biópsias humanas.

Apesar disto, os mecanismos de interesse para o tratamento na endometriose, ainda carecem de estudos clínicos.

Curcumina:

A curcumina é um monômero polifenólico extraído da cúrcuma. Vários estudos in vitro e in vivo comprovaram sua atividade farmacológica no manejo da endometriose.

Um estudo in vitro recente demonstrou que a curcumina é um inibidor potente da secreção de quimiocinas, citocinas pró-inflamatórias e pró-angiogênicas.

A curcumina tem como alvo múltiplos mecanismos moleculares e celulares na patogênese da endometriose, como inflamação, fixação e angiogênese, que podem melhorar e aliviar consideravelmente o controle da endometriose.

Resveratrol:

Maia et al. (2012) avaliaram as vantagens da associação de resveratrol com anticoncepcionais orais para o manejo da dor relacionada a endometriose. Eles monitoraram o efeito do resveratrol em 12 pacientes que não obtiveram alívio da dor após o tratamento com um contraceptivo oral contendo drospirenona com etinilestradiol. Após dois meses de uso de 30mg de resveratrol na terapia hormonal padrão, 82% dos pacientes relataram resolução completa da dismenorreia e redução significativa na ocorrência de dor.

Os mecanismos fisiopatológicos envolvidos no desenvolvimento de uma doença extremamente heterogênea, como a endometriose, ainda não foram totalmente elucidados e as intervenções de tratamento disponíveis são atualmente limitadas. A descoberta de novos agentes terapêuticos e melhorias nas estratégias de tratamento existentes parece ser necessária.

Os polifenóis naturais exibem um perfil de ação pleiotrópica e podem exercer efeitos anti-endometrióticos por meio de interações abrangentes com múltiplos alvos moleculares associados a endometriose, como proliferação celular, apoptose, inflamação, estresse oxidativo, angiogênese e invasividade. Além disso, alguns desses fitoquímicos podem exercer um efeito fitoestrogênico potente, modulando as redes de estrogênio, sem induzir efeitos colaterais graves, contrários à terapia antiestrogênica convencional contra a endometriose.

Referências:

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