Segundo dados da OMS, cerca de 40% da população brasileira sofre com algum tipo de distúrbio do sono. Os exemplos mais recorrentes desses transtornos são a insônia, a apneia obstrutiva do sono e a síndrome das pernas inquietas. São comuns também o sono insuficiente e o atraso de fase de sono.

O Instituto do Sono é responsável por acompanhar as consequências desses distúrbios na população da cidade de São Paulo. Em 2007, o instituto desenvolveu a pesquisa Episono que, entre seus resultados, revelou que 60% dos paulistanos queixavam-se de insônia ou de dificuldade para dormir.

Um estudo de revisão, conduzido por St-Onge et al., revelou que tanto o sono de curta duração quanto o de longa, assim como os distúrbios do sono, estão associados a perfis e resultados de risco cardiometabólico adversos, além de terem impacto negativo no balanço energético (principalmente a restrição do sono). O mesmo estudo levantou também que o tratamento de pessoas com distúrbios do sono pode fornecer benefícios clínicos, particularmente, para a pressão arterial.

Um sono de qualidade está associado com a melhora do equilíbrio físico, mental e emocional. Também com a manutenção do sistema imunológico e com a prevenção de doenças, além de auxiliar o bom funcionamento do cérebro.

Isso porque vários neurotransmissores estão envolvidos com o chamado “ciclo de sono-vigília”, como o 5-hidroxitriptofano (5-HT), o GABA, a orexina, o hormônio concentrador de melanina, a noradrenalina e a histamina. Intervenções nutricionais que atuam sobre esses neurotransmissores impactam positivamente no sono pois podem influenciar a taxa de síntese e função dos neurotransmissores. Por exemplo, a síntese da serotonina, que é dependente da disponibilidade de seu precursor, triptofano, no cérebro.

Os hormônios também possuem influência no sono. Como é o caso da melatonina, hormônio secretado pela glândula pineal, que apresenta efeitos sedativos e exerce influência na temperatura central, melhorando a qualidade do sono.

E você nutri? Tem se preocupado com a saúde do seu sono e com a dos seus pacientes?

 

Referências:

Tufik, Sergio, et al. “Obstructive sleep apnea syndrome in the Sao Paulo epidemiologic sleep study.” Sleep medicine 11.5 (2010): 441-446.

Consensus Conference Panel, et al. “Recommended amount of sleep for a healthy adult: a joint consensus statement of the American Academy of Sleep Medicine and Sleep Research Society.” Journal of Clinical Sleep Medicine 11.6 (2015): 591-592.

St-Onge, Marie-Pierre, et al. “Sleep duration and quality: impact on lifestyle behaviors and cardiometabolic health: a scientific statement from the American Heart Association.” Circulation 134.18 (2016): e367-e386.

Doherty, Rónán, et al. “Sleep and nutrition interactions: Implications for athletes.” Nutrients 11.4 (2019): 822.