O sono é essencial para a saúde humana. Pessoas passam cerca de um terço das horas de suas vidas dormindo.

Sabe-se que a privação do sono pode aumentar o risco de desfechos cardiovasculares por reduzir o gasto de energia, aumentar o apetite e alterar o metabolismo da glicose. Alguns estudos também descobriram que pessoas com sono excessivo correm maior risco de DCV ou de morte.
O tempo real de sono costuma ser difícil de mensurar com precisão em grandes estudos epidemiológicos devido a falta de viabilidade do uso de medidas objetivas, como a polissonografia.

Um artigo publicado em 2018, de coorte prospectivo internacional de grande escala, onde a duração do sono foi estimada com base na quantidade de tempo na cama, investigou as associações da duração total diária estimada do sono (exposição primária), com mortalidade por todas as causas e eventos cardiovasculares maiores entre indivíduos, e examinou as associações entre eles e o desfecho em 116.632 participantes de sete regiões.

Após um acompanhamento médio de aproximadamente 8 anos, registraram 4.381 mortes e 4.365 eventos cardiovasculares maiores. Esse trabalho mostrou que as durações totais de sono estimadas tanto mais curtas (<6h/dia) quanto mais longas (>8h/dia) foram associadas a um risco aumentado do desfecho composto* quando ajustado para idade e sexo.

Em comparação com o sono entre 6–8 horas/dia, aqueles que dormiram <6 horas/dia tiveram uma tendência não significativa para aumento do risco do desfecho composto*. À medida que a duração estimada do sono aumentou (>8h/dia), notou-se uma tendência significativa para um maior risco do desfecho composto.

Os resultados foram semelhantes para todas as causas de mortalidade e eventos cardiovasculares principais. A duração do cochilo diurno foi associada a um risco aumentado de eventos compostos naqueles com mais de 6 horas de duração do sono noturno, mas não em pessoas com sono noturno mais curto (<6h).

Segundo os achados do artigo citado, uma duração total de sono estimada de 6–8 horas por dia está associada ao menor risco. Os cochilos diurnos estão associados a riscos excessivos de eventos cardiovasculares maiores e mortes, exceto naqueles com menos sono noturno, sugerindo que este pode ser um mecanismo compensatório quando o sono noturno é curto.

*Desfecho composto: Mortalidade por todas as causas e eventos cardiovasculares.

 

Referências:
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