É de conhecimento comum que uma alimentação saudável durante a gestação é de extrema importância para formação e desenvolvimento adequados do feto. Mas não é só isso, os hábitos alimentares da mãe podem influenciar a própria relação da criança com a comida para o resto da vida.

Essa relação começa a ser formada muito antes da introdução alimentar que é o termo utilizado para nomear o período em que se inicia a alimentação do bebê para além do leite materno. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) ela deve ocorrer a partir dos seis meses, sem no entanto, interromper a amamentação (que deve durar até os dois anos).

Durante a gravidez, as mães transmitem diversos tipos de informações, inclusive, o seu estado nutricional através da placenta. Os alimentos consumidos pela gestante interferem na composição do líquido amniótico que será deglutido pelo bebê. Durante a gestação, assim como todo o resto do corpo e suas funções, o paladar do bebê começa a se formar. Como líquido amniótico possui odores e sabores diferentes, o feto, exposto a diversos nutrientes e gostos, passa a percebê-los e se habituar a eles, construindo então, sua memória alimentar. Assim, quando chegar a hora dos alimentos sólidos, as chances da criança preferir os mesmos sabores que foram ofertados pela mãe na gestação são grandes.

Em 2001, o Monell Chemical Senses (EUA) fez um estudo com gestantes no último trimestre de gravidez. Os bebês das mães que beberam suco de cenoura na gestação e durante o aleitamento, mais adiante, aceitaram com mais facilidade as papinhas à base desse vegetal.

Os primeiros mil dias de vida da criança são essenciais, não apenas para o desenvolvimento físico e mental, mas também para que ela se habitue a uma alimentação saudável. Esses mil dias são a estimativa do período gestacional (270 dias), com os dois primeiros anos de vida da criança (730 dias). Por isso é tão importante uma saúde alimentar de qualidade e um acompanhamento nutricional tanto durante os períodos de introdução alimentar e amamentação, quanto ao próprio período de gravidez.

Além disso, muitas pesquisas da área de epigenética hoje, demonstram que hábitos alimentares inapropriados – assim como outros fatores como sedentarismo, tabagismo etc. – podem influenciar a formação do código genético dos seus filhos, deixando-os mais propensos a determinadas doenças.

Assim, as gestantes devem se conscientizar da importância de um estilo de vida mais saudável e equilibrado, evitando doenças, más formações e garantindo, dessa forma, a saúde para vida toda.