O exercício regular é conhecido por ser benéfico para a saúde materna e fetal, evitando o excesso de gordura corporal da mãe e também o desenvolvimento de diabetes mellitus gestacional (DMG).
Os principais benefícios para a gestante incluem melhora da condição física, controle do peso corporal, menor duração do trabalho de parto, recuperação mais rápida após o parto, prevenção de problemas de saúde como diabetes e hipertensão induzida pela gravidez, pré-eclâmpsia e redução do risco de nascimento prematuro.
Um estudo de coorte prospectivo (o Nurses ’Health Study II, n = 21.765) mostrou que o exercício antes da gravidez está associado a uma redução do risco de DMG. Ambos, exercícios intensos e atividades moderadas (por exemplo, caminhada rápida) resultam em redução de risco semelhante. Além disso, a participação em qualquer atividade física durante as primeiras 20 semanas de gravidez leva a uma redução de 50% no risco de DMG.
No que diz respeito à saúde a longo prazo, mulheres que se exercitam sistematicamente durante a gravidez têm uma probabilidade 75% maior de continuar os exercícios após o parto.
Uma revisão publicada em 2018 teve como objetivo resumir e apresentar as principais diretrizes para exercícios durante a gravidez normal e gravidez complicada por diabetes mellitus gestacional.
Exercícios durante a gravidez
Todas as diretrizes investigadas concordam que a aprovação do médico responsável é um pré-requisito para uma mulher grávida que pretende iniciar um programa de exercícios e que atividades que envolvam contato físico com outros jogadores, risco de queda, risco de lesões e esportes em grandes altitudes, ou esportes aquáticos como mergulho, devem ser evitados durante a gravidez.
As organizações clínicas enfatizam que as mulheres grávidas devem ser informadas sobre os sinais de alerta para abandonar imediatamente o exercício.
Todas as organizações sugerem, com segurança, treinamento aeróbio de 60 a 150 minutos/semana, com limite máximo de 30 minutos/dia. O exercício de resistência é recomendado por cinco organizações (Austrália, Canadá, Dinamarca, Noruega e Reino Unido).
Existem diferenças entre as organizações em relação a intensidade de exercício aconselhada. Canadá, Japão, Espanha e Reino Unido usam critérios objetivos (frequência cardíaca, consumo máximo de oxigênio) e subjetivos (Escala de Borg, teste de fala) para determinar a eficácia e segurança do exercício. Apenas o Canadá fornece recomendações específicas, levando em consideração a idade da gestante e o nível de condição física. Em contraste, os EUA, Austrália, França e Dinamarca não aplicam critérios objetivos para definir a intensidade do exercício.
Além disso, os guidelines recomendam que os exercícios durante a gravidez sejam adaptados e personalizados às necessidades de cada mulher. Para que isso seja alcançado, uma abordagem holística é necessária por diferentes profissionais de saúde (médico, nutricionista, treinador e psicólogo).
Exercícios durante a gravidez com diabetes mellitus gestacional
O exercício, junto com a intervenção farmacêutica e nutricional, pode desempenhar um papel vital no gerenciamento do DMG. No entanto, existem poucas recomendações sobre programas de exercícios físicos eficazes e seguros para estas mulheres.
Como uma consideração geral, as mulheres com DMG precisam tomar medidas de precaução extras durante o exercício, principalmente por causa de seus níveis elevados de açúcar no sangue (hiperglicemia). A prescrição e supervisão dos exercícios físicos devem ser realizadas de acordo com os princípios delineados acima, como é o caso da gestante sem intercorrências, e o médico responsável deve avaliar a capacidade da mulher para se exercitar.
Melhores resultados da gravidez, nesse contexto, podem ser esperados quando os exercícios são iniciados antes em comparação com os exercícios iniciados durante a gravidez. No entanto, são poucas contraindicações para começar a se exercitar pela primeira vez durante a gravidez.
Com relação a frequência e duração do exercício, tanto a Sociedade de Obstetras e Ginecologistas do Canadá (SOGC) quanto a Sociedade Canadense de Fisiologia do Exercício (CSEP) sugerem que as gestantes com DMG devem seguir as mesmas diretrizes que as demais gestantes. Exercícios com frequência de três a quatro vezes por semana, com intensidade de 50% do VO2máximo, totalizando 45 minutos com intervalos de 5 minutos a cada 15 minutos, são considerados seguros e eficazes.
Em relação a frequência de exercícios aeróbicos, o Colégio Americano de Medicina Esportiva (ACSM) e a ESSA (Exercise and Sports Science Australia) sugerem que o exercício não deve ultrapassar dois dias consecutivos devido a melhora temporária da ação da insulina e captação passiva de glicose após o exercício por até 48 horas. Em relação ao exercício resistido, o ACSM e a ESSA recomendam pelo menos duas sessões de treinamento por semana e, idealmente, três, em dias não consecutivos.
O exercício resistido é considerado uma opção segura e eficaz para mulheres com DMG, pois pode reduzir a necessidade de aplicação de insulina exógena e controlar a hiperglicemia. Mesmo após o diagnóstico, exercícios aeróbicos ou resistidos podem ajudar a melhorar a ação da insulina.
Mulheres grávidas que são tratadas com insulina devem estar cientes dos efeitos dos exercícios, que podem aumentar a sensibilidade à insulina e induzir hipoglicemia, particularmente durante o primeiro trimestre. Dada a falta de grandes estudos de coorte sobre exercícios no controle do DMG, as mulheres com essa condição e, especialmente aquelas em terapia com insulina, devem seguir as mesmas recomendações das mulheres grávidas com diabetes tipo 1, embora as respostas provavelmente sejam diferentes.
Todas as organizações científicas apoiam fortemente o envolvimento de mulheres grávidas em programas regulares de exercícios. O exercício durante a gravidez com ou sem DMG é seguro quando os cuidados necessários são levados em consideração. Além disso, deve ser prescrito,  de acordo com as diretrizes, para atingir o máximo de eficácia e benefício das adaptações relacionadas à saúde induzidas pelo exercício e monitorado por profissionais habilitados.
Referências:
1- Joy E, Mottola MF, Chambliss H (2013) Integrating exercise is medicine into the care of pregnant women. Curr Sports Med Rep 12:245–247;
2- Colberg SR, Sigal RJ, Yardly et al (2016) Physical activity/exercise and diabetes: a position statement of the American Diabetes Association. Diabetes Care 39:2065–2079;
3- American Diabetes Association (2015) Management of diabetes in pregnancy. Diabetes Care 38:S77–S79;
4- Colberg SR, Castorino K, Jovanovič L (2013) Prescribing physical activity to prevent and manage gestational diabetes. World J Diabetes 4:256–262;
5- Dempsey JC, Sorensen TK, Williams MA, Lee IM, Miller RS, Dashow EE, Luthy DA (2004) Prospective study of gestational diabetes mellitus risk in relation to maternal recreational physical activity before and during pregnancy. Am J Epidemiol 159:663–670;
6- Savvaki, Dimitra, et al. “Guidelines for exercise during normal pregnancy and gestational diabetes: a review of international recommendations.” Hormones 17.4 (2018): 521-529.