A COVID-19 é uma doença causada pela infecção do coronavírus SARS-CoV-2. A pandemia representou, e ainda representa, um desafio sem precedentes para os sistemas de saúde em todo o mundo.

Pacientes com COVID-19 podem desenvolver, de acordo com a classificação das diretrizes ESPEN, desnutrição aguda relacionada a doença por diferentes razões, mas principalmente, por causa do aumento das necessidades energéticas relacionadas à inflamação grave, entretanto, com dificuldade em alcançá-las devido a hiporexia e coexistência de dificuldades alimentares. Em particular, a infecção por COVID-19 pode ser acompanhada por distúrbios gastrointestinais, como náuseas, vômitos e diarreia, que afetam tanto a ingestão quanto a absorção de alimentos.

Nos poucos estudos, realizados na população chinesa, que avaliaram o estado nutricional em pacientes com COVID-19, foi encontrado risco de desnutrição em aproximadamente 80% deles durante a internação.

Um estudo observacional prospectivo publicado neste ano avaliou pacientes adultos com infecção por SARS CoV-2 que foram internados em unidades de internação convencionais e/ou UTI de abril a junho de 2020 no Hospital Germans Trias i Pujol em Badalona (Barcelona) na Espanha. Este estudo teve como objetivo conhecer a porcentagem de pacientes internados por COVID-19 que necessitaram de suporte nutricional, suas características clínicas, bem como a prevalência de desnutrição relacionada a doença e ao risco de sarcopenia na alta hospitalar e após 6 meses.

Os resultados mostraram que todos os pacientes internados com COVID-19 que receberam suporte nutricional (13,9% dos participantes) apresentavam desnutrição na alta hospitalar e quase todos apresentavam risco de sarcopenia, que persistia em metade deles aos 6 meses.

O prognóstico geral dos pacientes com terapia nutricional foi pior do que aqueles sem esse tipo de suporte, provavelmente em relação a gravidade da doença, pois praticamente todos os pacientes com suporte nutricional necessitaram de internação na UTI. Isso é ainda apoiado pelo fato de que não apenas as características clínicas, mas também os fatores biológicos, como contagem de linfócitos e marcadores pró-inflamatórios, foram piores neste subgrupo de pacientes.

O risco de sarcopenia foi altamente prevalente na alta e persistiu em quase metade dos pacientes em 6 meses, embora o risco de desnutrição estivesse presente apenas em alguns deles.

Pacientes que desenvolvem sarcopenia como consequência a um evento estressante geralmente requerem exercícios e terapia nutricional para toda a vida. Por isso, mais pesquisas sobre a incidência e impacto da sarcopenia nos casos pós-COVID-19 são necessárias e também maior atenção aos programas de reabilitação durante a fase de recuperação.

O estudo citado apresentou algumas limitações como, por exemplo, ausência de dados sobre o estado nutricional à admissão e ausência de medidas de composição corporal.

Os achados desse trabalho indicam que o suporte nutricional deve ser mais intensivo e idealmente associado à terapia de reabilitação com exercícios para prevenir ou reverter a sarcopenia.

A intervenção nutricional deve ser considerada como parte do cuidado abrangente de todos os pacientes com infecção por SARS-CoV-2 que requerem internação hospitalar, para melhorar os resultados hospitalares e o estado de saúde a médio prazo dos sobreviventes.

Referências:
1- Ramos, Analía, et al. “Impact of COVID-19 on nutritional status during the first wave of the pandemic.” Clinical Nutrition (2021).