Em meados de 1982, o modelo transteórico foi desenvolvido pelos pesquisadores norte-americanos James O. Prochaska e Carlo DiClemente, por meio de um estudo realizado com tabagistas.

Nesse estudo, observou-se que muitos fumantes conseguiram deixar de lado o vício do cigarro sem auxílio da psicoterapia, ao mesmo tempo que outros alcançavam sucesso somente com a sua aplicação. O que os levou a pensar que existiam fatores que explicavam a mudança do comportamento na presença, ou não, de psicoterapia.

Cabe ressaltar que o modelo utiliza estágios de mudanças para mapear as alterações do comportamento. Com esses estágios é possível detectar quando a mudança ocorre e o quanto quem o faz está motivado para realizá-la.

Estágios de mudança:

1) Pré-contemplação

Motivação: Neste estágio o indivíduo ainda não considerou a mudança comportamental e não tem a intenção de assumir a mudança em um futuro próximo (geralmente seis meses).

Exemplo: Um indivíduo que não reconhece sua prática alimentar inadequada ou não tem muita resistência e apresenta pouca motivação para mudá-la.

2) Contemplação

Motivação: Começa a pensar sobre a mudança comportamental, mas ainda com incerteza, pois apresenta motivos para começar a mudar e também para não mudar. A mudança é pretendida para um futuro, mas ainda sem definição.

Exemplo: Um indivíduo que reconhece sua prática alimentar como inadequada, pouco saudável, mas acredita que seja por falta de tempo, pelo preço ou o sabor desagradável dos alimentos.

3) Decisão

Motivação: Há a pretensão de mudança em um futuro próximo. Geralmente são realizadas pequenas mudanças e um plano de ação é adotado.

Exemplo: Um indivíduo que diz “na próxima segunda-feira irei começar a dieta.”

4) Ação

Motivação: Ocorre alterações no comportamento e há entusiasmo pela mudança.

Exemplo: Um indivíduo que reduziu o consumo de alimentos gordurosos, visando a melhora do perfil lipídico, e passa a reconhecer os benefícios de ter adotado essa prática alimentar.

5) Manutenção

Motivação: Mudança no comportamento e perpetuação dessas mudanças. Há um enfoque em prevenir as recaídas e consolidar os ganhos.

Exemplo: Um indivíduo que passou por uma reeducação alimentar e adotou uma alimentação saudável há mais de um ano.

 

Referências:
PROCHASKA, James O.; DICLEMENTE, Carlo C. Transtheoretical therapy: toward a more integrative model of change. Psychotherapy: theory, research & practice, v. 19, n. 3, p. 276, 1982.

TORAL, Natacha; SLATER, Betzabeth. Abordagem do modelo transteórico no comportamento alimentar. Ciência & Saúde Coletiva, v. 12, p. 1641-1650, 2007.

Alvarenga, Marle, et al. Nutrição comportamental. Editora Manole, 2015.