A asma é uma doença crônica comum caracterizada por inflamação e estreitamento das vias aéreas, causando períodos de obstrução do fluxo de ar. Os sintomas comuns durante os episódios agudos incluem respiração ofegante, tosse, aperto no peito e falta de ar.

A hiperresponsividade das vias aéreas tem sido associada a ação de granulócitos (como eosinófilos), linfócitos, macrófagos e mastócitos. Durante uma reação alérgica, essas células desencadeiam a contração do músculo liso e secreção de muco nas vias aéreas, além de vazamento microvascular.

De acordo com dados de vigilância nacional dos Centros de Controle de Doenças, houve um aumento de 278% entre os anos de 1980 e 2010.

Bermudez et al. sugeriram que a ocidentalização nos padrões alimentares pode desempenhar um papel causador do aumento da prevalência de asma em países latino-americanos. As dietas ocidentais geralmente enfatizam o consumo de produtos de origem animal em detrimento de frutas, vegetais, grãos inteiros e leguminosas.

Metanálises compararam o risco relativo de adultos e crianças desenvolverem asma entre dois grupos: grupo com maior ingestão de frutas e vegetais e grupo com menor ingestão de frutas e vegetais. Descobriu-se, então, que o alto consumo de frutas e vegetais está associado a redução do risco de desenvolvimento da doença.

A alta ingestão de gordura e baixa ingestão de fibras tem sido associada à inflamação das vias aéreas e à piora da função pulmonar em pacientes asmáticos. Em um estudo australiano (n = 202) descobriu-se que pacientes asmáticos graves consumiam dietas com maior teor de gordura e menos teor de fibras quando comparado a indivíduos saudáveis. Esses padrões dietéticos foram associados ao aumento da eosinofilia das vias aéreas, enquanto a ingestão de fibras foi positivamente associada ao volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1).

A inflamação sistêmica está associada a piores desfechos clínicos em pacientes asmáticos. No entanto, dietas centradas em alimentos vegetais reduzem as moléculas pró-inflamatórias, enquanto aumentam os marcadores anti-inflamatórios.

Segundo uma revisão sobre nutrição e asma publicada em 2020, as evidências sugerem que dietas mediterrâneas e veganas que enfatizam o consumo de frutas, vegetais, grãos e grãos integrais, enquanto reduzem ou eliminam produtos de origem animal, podem reduzir o risco de desenvolvimento e exacerbação da asma.

Além disso, a ingestão de frutas e vegetais tem sido associada a redução do risco e melhor controle da asma, enquanto o consumo de laticínios está associado ao aumento do risco e pode exacerbar os sintomas de asma.

Componentes da dieta como frutas e vegetais, alimentos de origem animal, antioxidantes, fibras, ácidos graxos poliinsaturados, gordura total e saturada e consumo de vitamina D provavelmente afetam de diferentes maneiras as vias imunológicas envolvidas na fisiopatologia da asma. No entanto, mais estudos são necessários para confirmar essas associações e avaliar a prevenção e o controle da asma por meio da dieta.

 

Referências:

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