A qualidade da dieta foi identificada como um dos principais determinantes da saúde. No entanto, em países desenvolvidos, muitos indivíduos ainda não consomem frutas, vegetais e grãos inteiros de forma suficiente. Ao invés disso, ingerem uma alta quantidade de alimentos processados ricos em energia, sódio, açúcares livres e gorduras saturadas.

Apesar das inúmeras campanhas de saúde pública destinadas a melhorar os hábitos alimentares, dados recentes sugerem que a qualidade da dieta permaneceu abaixo do ideal ao longo dos anos.

Essas observações são desafiadoras para os formuladores de políticas de saúde e profissionais da área, subjacentes à necessidade de melhorar as políticas e intervenções alimentares e de identificar novas abordagens para promover uma alimentação saudável, que pode ter um impacto maior na qualidade da dieta ao longo do tempo.

Um exemplo é a bem documentada “Unhealthy equal tasty association”, onde alguns estudos mostraram que os alimentos apresentados como saudáveis são frequentemente considerados menos saborosos do que os alimentos “não saudáveis”. Essa percepção parece ser influenciada pela cultura.

Pesquisas anteriores observaram que, para os americanos, alimentos não saudáveis estão implicitamente associados ao sabor delicioso. No entanto, o oposto foi observado na França, onde os franceses espontaneamente associaram alimentos não saudáveis com gosto ruim, enquanto alimentos saudáveis foram associados ao sabor apetitoso.

Um número crescente de autores sugeriu que o prazer deve ser enfatizado mais na promoção de uma alimentação saudável. Isso se reflete até mesmo nas diretrizes dietéticas mais recentes em alguns países, incluindo Brasil (com o Guia Alimentar) e Canadá, mas também em estratégias de intervenção usando a abordagem da “alimentação intuitiva” (ou seja, uma abordagem que implica comer em resposta à fome e saciedade além de dicas para redescobrir os prazeres de comer).

Esse novo paradigma é apoiado por um crescente corpo de pesquisas que relatou, usando diferentes desenhos de estudo, associações favoráveis entre o prazer alimentar e os resultados dietéticos e de saúde.

 

 

Referências:
1- Bédard, Alexandra, et al. “Can eating pleasure be a lever for healthy eating? A systematic scoping review of eating pleasure and its links with dietary behaviors and health.” PloS one 15.12 (2020): e0244292

2- Imamura F, Micha R, Khatibzadeh S, Fahimi S, Shi P, Powles J, et al. Dietary quality among men and women in 187 countries in 1990 and 2010: a systematic assessment. Lancet Glob Health. 2015; 3: e132–e142. https://doi.org/10.1016/S2214-109X(14)70381-X PMID: 25701991

3- Raghunathan R, Naylor RW, Hoyer WD. The unhealthy equal tasty intuition and its effects on taste inferences, enjoyment, and choice of food products. J Mark. 2006; 70: 170–184.

4- Werle CO, Trendel O, Ardito G. Unhealthy food is not tastier for everybody: The “healthy = tasty” French intuition. Food Qual Prefer. 2013; 28: 116–121.