Sabe quando o paciente não consegue, de forma alguma, seguir o planejamento? Ou quando ele demonstra insatisfação em diversas áreas da vida, em especial, na alimentação? Nesses casos, um número cada vez maior de profissionais está recorrendo à estratégia da nutrição comportamental.

Mas você sabe o que é nutrição comportamental?

Esse tema, já discutido por alguns nutricionistas antes, vem ganhando força nos últimos anos, inclusive no debate acerca da nutrição comportamental como especialização. De qualquer forma, nutrição comportamental se baseia em como o seu paciente lida com a comida, no entendimento integral dessa relação, levando em consideração que os hábitos alimentares são influenciados por diversos fatores do dia a dia do seu paciente. Fatores estes, inclusive, sociais, culturais e emocionais.

Na nutrição comportamental é importante para o nutricionista compreender, por exemplo, se o seu paciente come como forma de extravasar a raiva, a felicidade, ou se sua alimentação é feita no modo automático, sem consciência, apenas como resposta à uma necessidade fisiológica. O ambiente em que seu paciente come, assim como o tempo que leva para fazer as refeições e o modo que ele come também são fatores a serem analisados. Em resumo, como já indica o nome, a nutrição comportamental se preocupa em analisar os comportamentos que influenciam no hábito alimentar do seu paciente e na relação que ele tem com a comida.

Aplicar a ideia de nutrição comportamental é entender esse aspecto real da alimentação, ou seja, da alimentação que se estende para além da prescrição e da percepção dos alimentos como fontes de nutrientes. E sim como a alimentação pode se encaixar no dia a dia do paciente, evitando se tornar, para ele, uma fonte de frustração.

Em especial, a nutrição comportamental reavalia a relação nutri-paciente no momento em que incentiva o entendimento, isto é, incentiva o nutricionista a, mais do que prescrever, explicar ao seu paciente os “porquês”: por que é importante para a dieta dele aquele alimento específico; por que é importante ter um momento para comer; por que não usar a comida como válvula de escape ou rebaixá-la a nada mais do um “tapa buraco” quando se está com fome, ou seja, por que a relação com a comida como um todo é essencial para a saúde dele.

Para o paciente, ter essa compreensão é ter maior consciência, significa também maior capacidade para entender o plano alimentar que recebeu do nutricionista e, até mais, entender sua própria relação com a comida.

Finalizamos com o trecho: “A maioria das pessoas faz mais de duzentas escolhas alimentares por dia. Entender a fundo como são elaboradas essas decisões e quais são os fatores que mais influenciam na compra de alimentos é fundamental, tanto para o nutricionista embasar um ‘aconselhamento’ que considere as necessidades e desejos do paciente no seu papel de consumidor, quanto para incentivar a inovação de produtos alimentícios e gerar uma comunicação mais adequada nos alimentos na indústria.”

Referências:

Livro: ALVARENGA, M (org.). et. al. Nutrição comportamental para uma comunicação responsável em saúde nutrição. In: Nutrição Comportamental. São Paulo: Editora Manole, 2016.