A adolescência é a fase que marca a transição entre a infância e a idade adulta. Caracterizada por diversas mudanças fisiológicas, psicológicas e sociais.

Trata-se também de um período vulnerável nutricionalmente e de consolidação dos hábitos alimentares que, não sendo adequados, podem resultar no risco de desenvolvimento de diversas doenças.

Devido a inúmeras inovações tecnológicas, os adolescentes passam grande parte do seu tempo diário usando aparelhos eletrônicos, como televisão, computador e celular, tornando-se cada vez mais sedentários.

A inatividade física associada a uma alimentação irregular, com alto teor de gorduras e pobre em fibras e frutas, gera sobrepeso e obesidade, condições que atingem valores alarmantes em todo o mundo. Isso se torna um risco maior por desencadear, precocemente, complicações metabólicas, como dislipidemia, hipertensão arterial, níveis elevados de ansiedade e depressão, redução nos níveis de autoestima e de desempenho escolar e outras comorbidades, influenciando de forma negativa a qualidade de vida e a socialização dos adolescentes.

Como consequência desses hábitos inadequados, no Brasil, aproximadamente 1/5 dos adolescentes estão com excesso de peso.

A obesidade tem uma forte prevalência na população jovem, sendo considerada uma importante preocupação em saúde pública, por causa, principalmente, das comorbidades associadas a essa patologia.

Os efeitos da obesidade em idade precoce podem ser notados em longo prazo, tendo sido relatado na literatura um risco de mortalidade aumentado, especialmente por doença coronariana, nos adultos que foram obesos durante a infância e a adolescência.

Nas últimas décadas, observou-se um aumento no número de estudos que investigaram os efeitos da prática de atividade física na prevenção de doenças crônicas não-transmissíveis. Entre os benefícios imediatos está a melhora nas aptidões físicas relacionadas à saúde, como aptidão cardiorrespiratória, força muscular e flexibilidade.

Alguns estudos têm discutido o papel da atividade física na prevenção da obesidade entre crianças e adolescentes. Foi observado que tanto o exercício aeróbico quanto o anaeróbico são efetivos no tratamento da obesidade. Também verificaram, a partir de um estudo de caso-controle, que a atividade física programada resultou em melhoria na frequência de sobrepeso e obesidade no grupo que sofreu intervenção.

A prevalência de sobrepeso/obesidade em adolescentes tende a ser mais alta no meio urbano do que no rural, devido ao alto consumo de alimentos ricos em açúcares simples e menos frutas e hortaliças. Porém, deve-se levar em consideração a disponibilidade de certos alimentos nas diferentes áreas.

Diante disso, torna-se necessária a educação nutricional, enfatizando a escolha apropriada dos alimentos e hábitos saudáveis desde a infância. Nas escolas, onde crianças e jovens passam grande parte de seu dia, as ações de orientação e promoção da saúde constituem importante meio de informação, visando promoção da saúde em médio e longo prazo.

 

Referência:
Barbalho EV, Pinto FJM, Silva FR, Sampaio RMM, Dantas DSG. Influência do consumo alimentar e da prática de atividade física na prevalência do sobrepeso/obesidade em adolescentes escolares. Cad Saúde Colet, 2020;28(1):12-23.