A hipertensão é uma doença crônica caracterizada pelo aumento da pressão arterial e considerada fator de risco para doenças cardiovasculares.

Apesar do avanço significativo na percepção, diagnóstico e terapia da hipertensão, sabe-se que o controle da pressão arterial é insuficiente em menos da metade dos pacientes hipertensos e representa um desafio para o tratamento adequado.

O método mais comum de tratamento da hipertensão é a terapia medicamentosa, e alternativamente, produtos médicos naturais são frequentemente usados como terapia adjuvante para melhorar os resultados de longo prazo em pacientes com hipertensão e para reduzir o número de medicamentos anti-hipertensivos que são tomados.

A ingestão de microalgas se popularizou há séculos tendo em vista seu valor nutricional e suas propriedades nutricionais, contendo uma variedade de substâncias de grande valor biológico, incluindo proteínas, ácidos graxos poli-insaturados, aminoácidos, antioxidantes, minerais e vitaminas.

A spirulina, uma cianobactéria microscópica e filamentosa, é considerada uma microalga sustentável que vem desempenhando um papel cada vez mais importante na medicina alternativa. Alguns estudos experimentais em animais investigaram sua atividade antioxidante, anti-inflamatória e imunomoduladora, enquanto atividades hipoglicêmica e hipolipidêmica foram descritas em pesquisas com seres humanos.

O efeito da ingestão de spirulina na pressão arterial é considerado em alguns ensaios clínicos randomizados em humanos, entretanto, os resultados não são totalmente decisivos.

A fim de avaliar a eficácia da suplementação de spirulina na pressão arterial sistólica (PAS) e diastólica (PAD), uma metanálise foi conduzida neste ano (2021) para elucidar o assunto.

No total, 5 ensaios clínicos randomizados (ECRs) com 230 indivíduos para investigar a PAS e 4 ECRs com 214 indivíduos para analisar a PAD foram incluídos na metanálise. Todos os estudos foram publicados entre 2008 e 2021 e foram realizados em cinco países diferentes, incluindo México, Polônia, Coreia do Sul, EUA e Irã.

Todos os ECRs foram desenhados como estudos de grupos paralelos. Quatro deles usaram o placebo como controle e um ensaio não usou nenhuma intervenção como controle. A dose de spirulina variou de 1 a 8 g por dia. A duração da intervenção foi de 12 semanas para três estudos, 8 semanas para um estudo e 2 semanas para outro. Todos os pacientes eram adultos e sofriam de doenças coexistentes, por exemplo, hipertensão, diabetes mellitus tipo 2, dores articulares crônicas e colite ulcerativa.

A análise combinada revelou que a ingestão de spirulina levou a uma redução significativa da PAS, porém, houve uma heterogeneidade significativa entre os estudos observada na análise de subgrupo com base na pressão arterial basal.

Além disso, indicou que a suplementação de spirulina resultou em maior redução da PAS no subgrupo “hipertenso” em comparação com o subgrupo “normotenso”.

A análise agrupada de 4 ECRs mostrou que a ingestão de spirulina reduziu significativamente a PAD em comparação com o grupo controle, no entanto, constatou-se heterogeneidade inaceitável. Portanto, com base na análise de sensibilidade, encontraram e eliminaram o estudo que causou alta heterogeneidade.

Após uma nova análise, que foi responsável pela exclusão do estudo citado na metanálise, notaram uma redução altamente significativa da PAD no grupo spirulina em comparação com o controle.

O mecanismo de redução da pressão arterial pela spirulina é parcialmente compreendido. Sugere-se que o alto teor de potássio na spirulina poderia ter um efeito redutor na pressão arterial, além da presença da Ficocianina, um pigmento naturalmente presente com atividade antioxidante, que pode diminuir os parâmetros da pressão arterial ao fortalecer a expressão da enzima óxido nítrico sintase endotelial na aorta, após a estimulação da adiponectina.

As limitações destacadas desta metanálise foram o pequeno número de ensaios clínicos randomizados analisados e também a falta de possibilidade de avaliar o viés de publicação.

Mais ensaios clínicos randomizados utilizando diferentes dosagens com diferentes durações são recomendados para esclarecer o efeito da spirulina na pressão arterial sistólica e diastólica e para determinar a sua relevância clínica no tratamento da hipertensão.

 

Referências:
1) Christaki, E.; Florou-Paneri, P.; Bonos, E. Microalgae: A novel ingredient in nutrition. Int. J. Food Sci. Nutr. 2011, 62, 794–799;
2) Finamore, A.; Palmery, M.; Bensehaila, S.; Peluso, I. Antioxidant, Immunomodulating, and Microbial-Modulating Activities of the Sustainable and EcofriendlySpirulina. Oxidative Med. Cell. Longev. 2017, 2017, 3247528;
3) Deng, R.; Chow, T.-J. Hypolipidemic, Antioxidant, and Antiinflammatory Activities of Microalgae Spirulina. Cardiovasc. Ther. 2010, 28, e33–e45;
4) Serban, M.-C.; Sahebkar, A.; Dragan, S.; Stoichescu-Hogea, G.; Ursoniu, S.; Andrica, F.; Banach, M. A systematic review and meta-analysis of the impact of Spirulina supplementation on plasma lipid concentrations. Clin. Nutr. 2016, 35, 842–851;
5) Machowiec, Piotr, et al. “Effect of Spirulina Supplementation on Systolic and Diastolic Blood Pressure: Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials.” Nutrients 13.9 (2021): 3054.