Os transtornos alimentares são complexos e clinicamente reconhecidos por critérios diagnósticos estritos da Quinta Edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), lançado pela American Psychiatric Association, e acometem a saúde de muitas pessoas nos países ocidentais, principalmente a população jovem.

A anorexia nervosa, a bulimia nervosa e o transtorno de compulsão alimentar são as três categorias principais dos transtornos que envolvem a alimentação. Os transtornos alimentares podem estar associados a transtornos de ansiedade ou humor, insônia, bem como, a complicações somáticas, como alterações cardíacas, desequilíbrios hormonais e também uma ampla gama de sintomas gastrointestinais.

Os mecanismos subjacentes que poderiam explicar a ligação entre os transtornos e o trato gastrointestinal são numerosos e apenas parcialmente compreendidos. Foi sugerido que o comportamento dos transtornos alimentares, incluindo vômitos, abuso de laxantes e ingestão restritiva de alimentos, tem um forte impacto na função do trato gastrointestinal; por outro lado, a deficiência da função do trato gastrointestinal, como motilidade desordenada, pode reforçar os sintomas típicos dos transtornos, como perda de apetite, vômito autoinduzido, disfagia, constipação e distensão abdominal. Além disso, a desnutrição que ocorre, produzindo miopatia metabólica, bem como depleção, eletrolítica, parece influenciar dramaticamente o prejuízo na motilidade gástrica, no esvaziamento gástrico e no trânsito intestinal.

Após décadas de investigação, os mecanismos subjacentes ao comportamento anormal que caracterizam os transtornos alimentares, por exemplo, comer na ausência de fome e evitar alimentos na presença de fome, ainda são incertos. Os sintomas gastrointestinais ocorrem muito comumente e, no entanto, permanece a questão de debate se os distúrbios gastrointestinais são manifestações inerentes dos transtornos, ou se são resultado da desnutrição que ocorre.

Existe um interesse crescente no papel da microbiota intestinal na patogênese dos transtornos alimentares, em suas mudanças por meio de práticas de realimentação e, especialmente, na modulação da microbiota intestinal por meio de intervenções nutricionais ou aplicação de psicobióticos como coadjuvante da terapia padrão desses transtornos alimentares.

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Referências:
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