Tem-se notado um aumento na adoção de um estilo de vida mais saudável, que inclui uma baixa ingestão de alimentos processados, associada à prática regular de atividade física, para a manutenção do estado de saúde e redução do risco de doenças.

Tal interesse por uma vida mais saudável pode ser percebido pelos avanços nos estudos que levantam associações entre padrões alimentares ou componentes alimentares específicos e o risco de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). As DCNT se caracterizam por um conjunto de patologias de múltiplas causas e fatores de risco.

Refere-se que as DCNT tenham surgido em decorrência da transição epidemiológica e nutricional que iniciou com a industrialização que, além da oferta de alimentos com maior densidade calórica, ricos em gordura saturada e sódio, levou ao aumento nas taxas de sedentarismo, obesidade e poluição.

Devido a influência desses fatores sobre a homeostase celular e a instabilidade genômica, reporta-se que as DCNT são uma consequência da complexa relação entre genes, ambiente e dieta.

Assim, para melhor entendimento do funcionamento do organismo e prevenção de desequilíbrios orgânicos que podem acarretar doenças, a adesão de uma abordagem integrativa que considere todos os fatores associados ao surgimento das doenças é essencial.

A nutrição funcional tem como principal objetivo reestabelecer o organismo pelo equilíbrio dos nutrientes, possuindo cinco princípios básicos:

  1.  Individualidade bioquímica – Cada indivíduo é único e possui necessidades e desequilíbrios nutricionais únicos.
  2. Tratamento centrado no indivíduo – O indivíduo é visualizado como um conjunto de sistemas que se comunicam entre si e são influenciados por fatores externos como: fatores ambientais, emocionais, alimentares, hábitos de vida, atividade física, dentre outros.
  3.  Equilíbrio nutricional e biodisponibilidade de nutrientes – Oferta de nutrientes em quantidades necessárias para que possam exercer adequadamente suas ações no organismo.
  4.  Saúde como vitalidade positiva – Expressão máxima do bem-estar físico, emocional e social, e não a mera ausência de doenças.
  5.  Teia de interconexões metabólicas – Ferramenta que apresenta as interligações entre todos os processos bioquímicos do organismo, possibilitando a identificação de desequilíbrios orgânicos.

O estudo da individualidade bioquímica de cada pessoa permite que o Nutricionista possa prescrever uma dieta mais personalizada, com a inclusão de alimentos que irão promover o bom funcionamento do organismo, corrigindo “falhas” que possam estar atrapalhando a prevenção de doenças. Com base nessas avaliações será possível promover orientações que permitam mudanças, tratando problemas existentes, promovendo a saúde integral e reduzindo o risco de doenças.

Diante disso, podemos ver que a Nutrição é determinante no processo de patogênese de diversas doenças, uma vez que possui a capacidade de reduzir o risco de doenças e modular fatores que predispõem desequilíbrios, promovendo saúde e vitalidade.

Referência:
CARNAUBA, Renata Alves; BAPTISTELLA, Ana Beatriz; PASCHOAL, Valéria. Nutrição clínica funcional: uma visão integrativa do paciente. Instituto VP de Pesquisa, 2018.