Com prevalência global, os distúrbios no peso, como sobrepeso e obesidade, têm como principais causas a alimentação inadequada e um estilo de vida sedentário.

A obesidade, com etiologia multifatorial, é definida como uma doença crônica que consiste no acúmulo anormal ou excessivo de gordura corporal e está relacionada a uma imensa variedade de consequências a curto e a longo prazo que podem afetar a qualidade de vida do indivíduo.

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde, a obesidade global quase triplicou desde 1975. Em 2016, mais de 1,9 bilhões de adultos estavam com sobrepeso, destes mais de 650 milhões eram obesos e 340 milhões de crianças e adolescentes com idade entre 5 e 19 anos que estavam com sobrepeso ou obesidade. Anos depois, em 2019, mais de 38 milhões de crianças menores de 5 anos estavam com sobrepeso e obesidade.

Na última década, vários autores questionaram-se sobre certos comportamentos dietéticos, como velocidade ao se alimentar (definido como o tempo necessário para comer uma certa quantidade de comida) e a frequência alimentar (definida como o número de refeições por dia) que podem estar relacionados a obesidade, síndrome metabólica e qualidade da dieta.

Um artigo de revisão publicado neste ano compilou evidências relacionando comportamento alimentar com índice de massa corporal (IMC), peso corporal, circunferência da cintura, qualidade da dieta e outros componentes da síndrome metabólica em crianças, adolescentes e adultos.

Os achados dessa revisão sugerem que uma velocidade mais rápida na alimentação pode estar associada a um risco aumentado de adiposidade e síndrome metabólica, ou seus componentes. Além disso, uma maior frequência alimentar pode estar associada, principalmente, à melhor qualidade da dieta e menor risco de adiposidade e síndrome metabólica ou seus componentes.

Em relação a velocidade de alimentação em crianças, alguns estudos transversais concluíram que a velocidade ao comer estava positivamente associada ao sobrepeso e positivamente correlacionada à circunferência da cintura.

As associações entre a frequência alimentar e a adiposidade (IMC, escore z do IMC, circunferência da cintura e peso corporal) em crianças foram, principalmente, inversamente associadas em estudos transversais e longitudinais.

Em adultos, a velocidade de alimentação mais rápida foi frequentemente associada a um maior risco de sobrepeso ou obesidade e maior circunferência da cintura em estudos transversais, mas apenas o excesso de peso foi associado a uma velocidade de alimentação mais rápida em estudos longitudinais.

O trabalho apresentou limitações que, segundo os autores, dificultam as conclusões, sendo alguns dos exemplos a grande variabilidade e heterogeneidade entre os artigos, a falta de consenso sobre as definições de velocidade e frequência alimentar, bem como, as diferenças nas definições de sobrepeso ou obesidade usadas para crianças. Além disso, a velocidade ao se alimentar foi explorada, na grande maioria dos estudos, subjetivamente por meio de questionários autorrelatados, que podem não refletir a verdadeira velocidade ao comer.

Mais estudos de longo prazo e de intervenção são necessários e, caso essas associações sejam comprovadas, estratégias focadas em comportamentos alimentares no início da vida, como velocidade ao se alimentar e frequência alimentar, podem ser recomendadas para a prevenção do excesso de peso corporal, risco cardiovascular e desenvolvimento de doenças metabólicas.

 

Referências:
1- Llewellyn, C.; Wardle, J. Behavioral susceptibility to obesity: Gene environment interplay in the development of weight. Physiol. Behav. 2015, 152, 494–501, doi:10.1016/j.physbeh.2015.07.006;

2- Munsters, M.J.M.; Saris, W.H.M. Body weight regulation and obesity: Dietary strategies to improve the metabolic profile. Annu. Rev. Food Sci. Technol. 2014, 5, 39–51, doi:10.1146/annurev-food-030212-182557;

3- Zhu, B.; Haruyama, Y.; Muto, T.; Yamazaki, T. Association between eating speed and metabolic syndrome in a three-year population-based cohort study. J. Epidemiol. 2015, 25, 332–336, doi:10.2188/jea.JE20140131;

4- Garcidueñas-Fimbres, Tany E., et al. “Eating Speed, Eating Frequency, and Their Relationships with Diet Quality, Adiposity, and Metabolic Syndrome, or Its Components.” Nutrients 13.5 (2021): 1687.