Como é a relação dos seus pacientes com a balança?

Se o paciente está seguindo uma dieta e reclama constantemente da irregularidade do peso, ou de não estar perdendo peso da maneira ou rapidez que queria, é um sinal de que ele está muito preso aos números da balança, e isso não é bom. Na verdade, o peso da balança muitas vezes confunde mais do que ajuda. E aquela frase “meu amigo fez tal dieta e emagreceu muitos quilos em poucos dias” também pouco contribui para o incentivo do seu paciente. 

Antes de tudo, comunicação é fundamental. É importante que o nutricionista esclareça como essas dietas que são “milagrosas” em um primeiro momento, podem ser ineficazes a longo prazo. O efeito sanfona é um famoso exemplo disso. Ele se constitui em uma perda drástica de peso que posteriormente, por não se ter o hábito de alimentação e atividades adequadas, retorna ao corpo prejudicando, inclusive, a autoestima do paciente. Além disso, outra explicação geral, mas de fácil entendimento, é de como a combinação de exercícios físicos e uma dieta adequada pode ter, como primeiro resultado, uma não alteração no peso da balança. Por quê? Pois ao mesmo tempo em que o corpo utiliza gordura como fonte de energia, também há ganho de massa muscular, o que na balança pode parecer um esforço ineficaz e um grande desestímulo.

Nesses momentos é importante lembrar ao paciente que seu progresso não pode ser avaliado apenas por números, muito menos se forem apenas os números indicados pelo ponteiro de uma balança. A perda de peso corporal não é constante, podendo haver variações, inclusive, de um dia para o outro. Quando se está em uma dieta ou um outro tipo de planejamento alimentar, as respostas de cada pessoa são muito variáveis e particulares, ou seja, cada um reage da sua própria forma. Por isso é extremamente importante o acompanhamento de um nutricionista que conhece os hábitos, problemas e objetivos de cada paciente.

É possível , também explicar ao seu paciente que o acompanhamento da sua evolução passa pela utilização de outros parâmetros de avaliação, como por exemplo: cálculos de porcentagem de gordura, medidas, espelho, roupas, fotos, disposição, desempenho nos treinos, relação com a comida, consistência, mudança de hábito e até mesmo avaliação de como está a autoestima e o humor. E, a partir daí, mostrar habitualmente seus resultados, para que o paciente possa sentir que está conseguindo evoluir.

O foco deve estar nas pequenas mudanças que, no final, são as responsáveis por grandes resultados. Essas sim podem auxiliar o paciente a se manter motivado e seguir em frente. Como ele se sente é o fator mais importante a ser levado em consideração.

Portanto, é importante lembrar o paciente de não ter pressa, nem sempre nossos objetivos acontecem na velocidade e proporção que esperamos. É fundamental ser resiliente e curtir os processos de mudança na vida.